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"Não tenho caminho novo.
O que tenho de novo é
o jeito de caminhar."

(Thiago de Mello)
Criança

 

 

O desenvolvimento segundo Piaget.

      Piaget, interacionista e construtivista, percebeu que só através da ação, ou na interação entre o ser humano e os objetos, constroem-se formas de pensamento. Ou seja, a criança só aprende a conhecer os objetos agindo sobre eles, quer dizer, transformando-os de uma outra maneira. E esse transformar é a própria ação que é ao mesmo tempo o instrumento através do qual o organismo humano entra em contato com os objetos externos e pode decididamente conhecê-lo, pois segundo a perspectiva de relativismo integral e metodológico da psicologia genética, o objeto só existe enquanto conhecido ou suscetível de ser conhecido em suas relações com as ações do sujeito. Só conhecemos um objeto atuando sobre este e o transformando.

      Segundo Piaget, o desenvolvimento intelectual da criança ocorre em fases, nas quais existem modificações progressivas no que diz respeito à percepção e interação com o mundo. Não há definição de idades rígidas e as etapas se apresentam de forma contínua.

1. Período sensório-motor (0 a 24 meses)

     Representa a conquista, através da percepção e dos movimentos, de todo universo prático que cerca a criança. Isto é, a formação dos esquemas sensori-motores irá permitir ao bebê a organização inicial dos estímulos ambientais. Uma das funções da inteligência será, nesta fase, a diferenciação entre os objetos externos e o próprio corpo.

     O período de bebê é sem dúvida bastante complexo do ponto de vista do desenvolvimento, pois nele irá ocorrer a organização psicológica básica em todos os aspectos (perceptivo, motor, intelectual, afetivo, social). Do ponto de vista do autoconhecimento, o bebê irá explorar seu próprio corpo, conhecer os seus vários componentes, sentir emoções, estimular o ambiente e ser por ele estimulado, e assim irá desenvolver a base do seu autoconceito. Este autoconceito estará alicerçado no esquema corporal, isto é, na idéia que a criança forma de seu próprio corpo.

      Ao final do período, a criança terá conseguido atingir uma forma de equilíbrio, isto é, terá desenvolvido recursos pessoais para resolver ima série de situações através de uma inteligência explícita, ou sensório-motora.

2. Período Pré-Operacional (2 a 7 anos)

     Ao se aproximar dos 24 meses a criança estará desenvolvendo ativamente a linguagem, o que lhe dará possibilidades de, além de se utilizar da inteligência prática decorrente dos esquemas sensoriais-motores formados na fase anterior, iniciar a capacidade de representar uma coisa por outra, ou seja, formar esquemas simbólicos. Isto será conseguido tanto a partir do uso de um objeto como se fosse outro, de uma situação por outra quanto de um objeto, pessoa ou situação por uma palavra.

      O alcance do pensamento irá aumentar, obviamente, mas lenta e gradualmente, e assim a criança continuará bastante egocêntrica e presa às ações. Teremos, então, uma criança que a nível comportamental atuará de modo lógico e coerente e que a nível de entendimento da realidade estará desequilibrada.

      Quanto ao aspecto social, vemos como característica marcante desta fase, o início do desligamento da família em direção a uma sociedade de crianças.

      No que se refere à linguagem, o que se nota é a presença concomitante de linguagem socializada, um diálogo verdadeiro, com intenção de comunicação, e de linguagem egocêntrica, aquela que não necessita necessariamente de um interlocutor.

Revista de psicofisiologia, vol. 2 – nº 1 - 1998

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